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* Surubim – PE 28/10/1904 | † Recife – PE 31/12/1997
Ícone da cultura pernambucana, Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido como Capiba, foi um grande carnavalesco e compositor de frevo. Suas composições atravessaram as gerações e são cantadas até hoje, especialmente durante os carnavais. Músicas como “Madeira que Cupim Não Rói” e “É de Amargar” deram uma característica única à identidade Pernambucana.
Tendo influência de seu pai, maestro da Banda Municipal, Capiba, aos oito anos de idade, já tocava trompa. Sua carreira começou aos 20 anos, quando gravou o seu primeiro disco, a valsa “Meu Destino”.
Em 1930, no Recife, organizou com alguns amigos a Jazz Band Acadêmica, fazendo muito sucesso nos salões da época. Em 1932, passou no vestibular de direito e concluiu o curso seis anos depois. Devido sua carreira musical, nunca exerceu a profissão e nem se quer foi buscar o seu diploma.
A canção “É de Amargar” foi vencedora de um festival de frevo em Pernambuco em 1934, colocando-o em evidencia no cenário nacional. Entre outros prêmios, em 1967, conquistou o 5° lugar no Segundo Festival Internacional da Canção, com a música “São do Norte os que Vêm”.
No decorrer dos anos, o compositor fez várias canções com os grandes poetas brasileiros e até estrangeiros. Dentre os vários nomes consagrados, estão: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Ariano Suassuna, João Cabral de Mello Neto, Jayme Griz e Langston Hughes e muitos outros.
* Olinda - PE 13/03/1966 | † Recife – PE 02/02/1997
Francisco de Assis França, mais conhecido como Chico Science, foi um dos pioneiros do movimento “Manguebit”, manifestação musical que marcou a década de 90 com mistura de ritmos e letras revolucionárias.
Sua carreira como músico começou em meados de 1987, quando fez parte da banda Orle Orbe. Três anos depois, Chico, fundou junto com seus amigos a banda Loustal, o grupo misturava o rock psicodélico dos anos 60 com o soul, funk e hip hop.
Em 1991, impressionado com a energia dos percussionistas do bloco afro “Lamento Negro”, o cantor resolveu fundir os ritmos regionais. Misturou nas músicas o coco de roda e o maracatu com a black music e o rock’n roll. Nascia assim, a Chico Science & Nação Zumbi, o embrião do “Manguebit”.
Um ano após o surgimento da banda, a Nação Zumbi conquistou espaço no cenário nacional através de grande turnê pelo Brasil e assinou um contrato com uma importante gravadora. Em 1994 surge o primeiro CD intitulado “Da Lama ao Caos”. Músicas sobre o mangue e o cotidiano da Região Metropolitana do Recife, numa analogia crítica entre o ecossistema e a cidade foram os ingredientes dessa receita musical que cativou e influenciou uma geração inteira de jovens.
Todo o sucesso estimulou a banda a lançar e produzir o segundo cd “Afrociberdelia”. Estreado em 1996, o disco teve bastante repercussão no exterior, as músicas “Maracatu Atômico” e “Manguetown” fizeram grande sucesso e representam Pernambuco no Brasil com uma musicalidade extremamente moderna e inovadora.
Na véspera do carnaval de 1997, o Brasil teve uma grande perda. Chico Science sofreu um acidente de carro entre Recife e Olinda. Com apenas 33 anos, no auge de sua carreira, o músico deixou desolado milhares de fãs e virou um ícone, um eterno ídolo pernambucano.
* Recife - PE 18/04/1886 | † Rio de Janeiro - RJ 13/10/1968
Manuel Bandeira foi um dos poetas brasileiros mais habilidosos no manejo do verso livre.
Entretanto, teve uma infância e juventude bastante conturbada devido a uma crise de tuberculose. Em 1913, o escritor viajou até a Suíça para tratar sua doença. Na Europa, Manoel Bandeira iniciou uma vida como escritor profissional com o livro "A Cinza das Horas", publicado em 1917 no Brasil.
Uma das fortes características de seus livros era a tentativa de se libertar do academicismo e da influência européia nos textos. Suas poesias usam falas coloquiais e tratam de temas cotidianos, de forma objetiva e bem humorada. Sua posição como um dos maiores escritores da história brasileira foi consolidada com os livros "Estrela da Manhã", "Lira dos Cinqüenta Anos", "Mafuá do Malungo", "Opus 10" e "Estrela da Tarde".
Apesar da longa vida como poeta, Bandeira só teve lucro com seus livros a partir de 1937, quando ganhou o prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira. Foi ainda colaborador de vários jornais, antologista, historiador e biógrafo.
* Recife - PE 15/03/1900 | † Recife - PE 18/07/1987
Um dos intelectuais mais influentes do Brasil e sociólogo reconhecido internacionalmente, Gilberto Freyre reescreveu a historiografia brasileira através de suas obras. Em “Casa Grande & Senzala”, relatou o cotidiano da sociedade brasileira, a relação entre os senhores de engenhos e os escravos e os fatores que ocasionaram a miscigenação.
Por meio de suas várias obras, com riquezas de detalhes, foi possível entender melhor o cotidiano e comportamento da sociedade formadora do Brasil. Suas pesquisas eram inovadoras para a época, ao invés dos métodos convencionais, ele utilizou como fonte os anúncios de jornais antigos, arquivos pessoais de antepassados, manuscritos de arquivos públicos e quaisquer materiais que retratassem detalhadamente seus objetos de estudo.
Além do prestígio nacional, Gilberto Freyre foi doutor pelas Universidades de Paris (Sorbonne, França), Colúmbia (EUA), Coimbra (Portugal), Sussex (Inglaterra) e Münster (Alemanha). Em 1971, a rainha Elizabeth 2ª lhe conferiu o título de Sir (Cavaleiro do Império Britânico).
* Recife - PE, 09/01/1920 | † Rio de Janeiro – RJ, 09/10/1999
Diplomata e um dos mais expressivos escritores brasileiros, João Cabral de Melo Neto contribuiu significativamente para a literatura nacional, inaugurando um novo modo de fazer poesia. Sempre guiado pelo raciocínio, seus poemas evitam análise e exposição do eu e voltam-se para o universo dos objetos, das paisagens, dos fatos sociais, jamais apelando para o sentimentalismo.
Em 1942, Melo Neto se mudou para o Rio de Janeiro, onde publicou seu primeiro livro de poemas, intitulado “Pedra do Sono”. Em 1968, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, tomando posse de sua cadeira em 6 de maio de 1969.
“Morte e vida Severina”, sua obra mais conhecida, representa a caminhada de um retirante que peregrinou do sertão até o litoral em busca de uma vida melhor. Retrata uma dura realidade vivida por muitos dos nordestinos que moravam no interior da região.
* Caruaru - PE 10/07/1909 | † Caruaru - PE 20/01/1963
Natural de Caruaru, o artesão Mestre Vitalino costumava retratar o cotidiano do agreste pernambucano através de esculturas de barro. Suas obras eram peças que ilustravam retirantes, casas de farinha, ternos de zabumba, batizados, casamentos, vaquejadas, pastoris, padres e personagens folclóricos como Lampião e Maria Bonita.
Ainda pequeno, Vitalino modelava animais e objetos com as sobras do barro que sua mãe lhe dava. Chamava a esta produção de loiça de brincadeira. O Mestre passou da loiça de brincadeira para as cerâmicas figurativas. Um exemplo é a famosa peça “Caçador de Onça”, um gato maracajá trepado numa árvore, acuado por um cachorro, e um caçador fazendo pontaria, a escultura foi sua primeira a ser vendida na feira de Caruaru.
Por volta de 1930, aos 20 anos de idade, Vitalino criou os seus primeiros grupos humanos, com soldados e cangaceiros, representando o mundo em que vivia. Sua capacidade criadora se desenvolveu de tal maneira que acabou se tornando o maior ceramista popular do Brasil.
Foi o artista plástico Augusto Rodrigues quem revelou o trabalho de Vitalino para o resto do País, organizando, em 1945, sua primeira exposição no Rio de Janeiro. Ainda em vida, fez uma doação de 250 peças ao Museu de Arte Popular de Caruaru, atendendo solicitação da prefeitura da cidade.
No Alto do Moura, pode se conferir a Casa Museu Mestre Vitalino, onde estão expostas as suas principais peças. Os seus filhos, netos e bisnetos continuam o seu trabalho até hoje.